Pontuais crónicas do "dia-à-dia" de uma Solteirona (ou como também eu sempre quis ter um blog sobre os pequenos nadas da vida, principalmente se o mesmo me fizer escrever mais. Ou de como eu gosto de usar parêntesis quando escrevo).
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
"Cronicar" (ou a palavra criada para descrever o ato de colocarmos em palavras o que vivemos e pensamos, seja curioso, pertinente e interessante – ou não).
Escrever crónicas, não deve ser tarefa fácil (será?). Em primeira estância um sem fim de critérios a ter em atenção; os técnicos ao género em escolha (humorístico, jornalístico, narrativo, poético, etc. ... uma trabalheira para quem sofre de indecisão estética ou desvio de personalidade constante) a escolha de um público (ou a opção de nem pensar em quem está desse lado), o tema ou temas, o tempo, a vontade de o fazer, o tempo para as escrever, a sensibilidade e pertinência do que se inscreve, perdão, escreve. Pessoalmente tenho alguns critérios presentes, não querendo dizer que sejam os desejáveis, mas para alguém com tanta coisa na mente como tem a Solteirona, seguramente os possíveis. Afinal não poderei falar de certos temas a não ser que pretenda entrar pela área da ficção - muitas vezes científica... - sendo que a Solteirona vive uma vida muito pacata e na maior parte das vezes sem grande interesse para as restantes pessoas do mundo que coabita (e não fosse ser também tão diferente e tão igual a todas elas), com excepção da família e amores.
Mas voltemos às palavras e aos surpreendentes, porém não pouco comuns, processos (para esta Solteirona, registe-se) de as soltar no mundo. Por exemplo: estar deitada na cama aconchegada e quente, luz apagada e... cabeça acesa! Ideias e mais ideias, frases completas que surgem de uma só vez, com uma fluência extranormal. E o processo é o seguinte: abrir os olhos, acender a luz, levantar-me, escrever no caderno que guardo na mesa de cabeceira o que a cabeça e os seus pensamentos inquilinos ditaram, não vá o sono apagar toda esta torrente de iluminação temporária (iluminação tenho em conta o contexto horário) de manhã (e apaga, garanto). Voltar a deitar-me, apagar a luz e ... (raio da cabeça que não desliga, lá terei que me levantar de novo!) assim surgem por exemplo linhas como estas que de manhã não parecem nem um pouco geniais para terem o poder de me por a pé vezes sem conta (eu ainda sem filhos e com gosto de dormir sossegada), mas que serão postas em formato digital para que alguém (mesmo que apenas a Solteirona) as possam ler hoje!
Escrever crónicas será simples, por ventura, se as começarmos a escrever de algum modo. Mas a tradução/transição do pensamento para a escrita nem sempre é imediata. Perde-se em mim em outros pensamentos, jantares ao lume que não posso deixar queimar, música ou os sons de casa e de fora (neste momento a chuva) que me afastam da presença aqui e do ato de seguir a linha e as linhas dos pensamentos, e sim, sobretudo outros pensamentos que se sobrepõem e sobrepõem e sobrepõem e sobrepõem aos pensamentos. E sim, também muitas vezes a ausência dos mesmos (pensamentos! Só para reafirmar). Um dia, acredito que estejam já a “tratar disso” vão por à venda a tal máquina de leitura e escrita do pensamento humano e cronicar tornar-se-á supostamente simples e rápido (não que isso me faça muito feliz). Depois, como tudo na vida (hmmm...), sobrará a edição do que do nosso cérebro sai. O limar de vírgulas, e das palavras que poderão ser substituídas por outras de (mais ou menos) igual significado mas de carácter estético e apelativo diferente. Ponto de situação. Ponto final.
"Cronicar" – poder ter um cunho pessoal, um ponto de vista ou simplesmente um ponto. Ponto. E ter opinião mesmo que a opinião seja não ter que a ter. Transportar palavras segundo o ponto de vista da vida que se vive, segundo a própria experiência sem que a mesma seja necessariamente de quem a lê, mas se o for tanto melhor, chega-se a uma ou outra mente e coração, ou pelo menos prende-se alguma atenção. E terminar depois em tom de “até logo”, voltarei a dar sinais de vida, prometo não voltar a escrever sobre o ato de escrever e sim sobre outros temas com os quais vivemos (e sobrevivemos); os afectos e desafectos, o que apenas suavemente nos abana ou realmente abala (o que nos importa – ou que fazemos questão de afirmar que não). A lista é grande, a Solteirona anda a trabalhar nela (lembrem-me de vos falar da minha paixão por listas). Até lá, fiquem muitíssimo bem. ☺
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