sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O dia em que desisti do amor (um dos dias pelo menos... )

Fala-se muito de amor por este dias (de amor e de crise) 
Fala-se de amor, nas redes sociais, nos blogs, na televisão, nas revistas e livros. Do amor fugaz e do amor (já quase nunca) eterno. Houve tempos em que também eu acreditava nele. Escrevia sobre ele, suspirava, ansiava, respirava-o intensamente e vivia-o também. Também eu já fui (supostamente) em alguma altura, a paixão da vida de alguém, a “mulher perfeita” com quem alguém nunca pode ficar, (blá, blá, blá, ...). Também eu já tive histórias de amor dignas de novelas, romances, filmes (uma sortuda eu!). Até que chegou aquele dia em que desisti do amor. É verdade. Pode parecer cru, frio, calculista (incrivelmente triste até) mas são estes apenas os dados reais de uma descrição temporal, com tentativa de ser imparcial e exata, a descrição de uma nova fé em termos de sentidos e sentimentos. Houve um dia (e consigo dizer exatamente qual) em que deixei de querer “amar” (sim, com aspas!). 
Falando sinceramente, sim, acredito nos melhores sentimentos e emoções. A família e ou filhos e os amigos..., ... Acredito até em paixões e em amores para (de) uma vida, para os que me rodeiam, para o mundo em geral. Só não acredito neste momento, e já há algum tempo, que sejam para mim. E assumindo isto, sigo a vida com tudo o resto que esta me dá todos os dias.
 A verdade é que perdi demasiado tempo, demasiados dias, demasiados anos atrás de amores que não eram meus. Atrás de esperanças de coisas que nunca no fundo existiriam. Personalizando em pessoas, ideias e visões que não eram reais e/ou que não eram minhas. Necessidades que só eu tinha e que, concretizo agora, seriam injustas ao serem assumidas como certezas alheias. E esgotei-me no amor que procurava e que na altura verdadeiramente sentia para mim. Esgotei-me ao viver vidas que no fundo de alguma forma não eram realmente verdadeiras. Não assumi as mudanças (as minhas e as dos outros), os medos, as cicatrizes passadas, não assumi as maneiras de sentir diferentes, entre pessoas. No fundo é simples. As coisas, todas elas, ou são ou não o são. Não há volta a dar. Quando não existem não adianta fantasiar com histórias de outros personagens. Por aqui o único personagem que realmente existe e me sustenta a todas as horas sou eu. Do modo que for, com todos os inconvenientes e inconstâncias e incoerências. Todas elas reais. Sou eu que me respiro e ninguém mais por mim. Ok, sempre a mentir... minto. Muitas vezes há quem ligue a máquina de suporte à vida, por mim, quem me dê o ombro, o ou abraço, ou o sorriso, ou a mensagem “está tudo bem por aí?”. E isso é imensamente bom, corajoso, imenso e simples. E isso também para mim é amor. Não deveria ser o amor uma “coisa” simples? As relação sim são coisas complexas e complicadas, mas o amor...
Já me perdi em paixões, amores de páginas de romances dramáticos, aqueles que no fundo nunca acabam bem, cheguei a morrer por isso. Assisti à agonizante enfermidade de apenas querer dar e sentir sem limites e sem (supostamente) opção, de me perder em sentimentos sem que a mente e o corpo me pudessem impedir de tal, construindo-me maior também por isso e ao mesmo tempo destruindo-me por não me reconhecer nesse ato. Que improvável e amarga dualidade. O que me destruiu foi certamente o que me edificou no final. Senso comum. No fim de tudo, voltei a renascer numa outra qualquer manhã, a respirar, a secar restos de restos de restos de restos de lágrimas já secas, a sair porta fora, a inspirar a vida que me traz aqui. A sorrir infinitamente com um simples sopro de vento gélido de um fim de tarde de inverno, na visão de um pôr-do-sol inesquecível (e todos eles o são absolutamente e poderosamente). Curiosamente e inesperadamente a ser feliz (maravilhoso senso comum!). Curiosamente a sentir amor. Curiosamente a questionar onde tudo isto irá um dia chegar... se chegar a algum lado. Curiosamente. Talvez todo aquele “amor” que anteriormente senti, mesmo que com toda a essência e intensidade, seja isso no fundo: amor com aspas. E há que deixar respirá-lo, simplesmente, sem elas. É curioso que quando desistimos do amor é quando ele nos surge em alguma outra forma absolutamente diferente, (e muitas vezes diferente da forma humana). Saberei eu que outros tipos de amor existirão por aí... Até lá ficarei, seja de que modo for, bem. Até lá, fiquem muitíssimo bem. ☺ 


P.s. Um sempre infinito agradecimento a quem pelos dias, mesmo em pensamento, mesmo que em distância, pelo afecto, e pela preocupação, me faz acreditar.

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